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Menos álcool, mais possibilidades: o novo lugar dos chás na alimentação e no prazer de viver

11 de set.
5 min de leitura




Durante muito tempo, falar em celebração, encontro com amigos, jantar especial ou momentos de lazer parecia quase inseparável da presença de uma bebida alcoólica.

O vinho acompanhando a refeição, a cerveja no encontro descontraído, o espumante nas comemorações. O álcool acabou ocupando um lugar tão natural na nossa cultura que, muitas vezes, reduzir seu consumo ou simplesmente escolher não beber pode parecer uma decisão que precisa ser explicada.

Mas esse cenário está mudando.

Existe hoje um movimento crescente em direção a escolhas mais conscientes, especialmente entre pessoas que desejam cuidar melhor da saúde sem abrir mão do prazer, da convivência social e da experiência gastronômica.

E é justamente nesse espaço que os chás, infusões, bebidas botânicas e opções não alcoólicas começam a ganhar um novo significado.


Quando cuidar da saúde também pode ser prazeroso


Uma alimentação saudável não deveria ser construída apenas a partir de restrições.

Ela também pode — e deve — envolver sabor, aromas, texturas, rituais e experiências.

É nesse sentido que vejo com muito entusiasmo o crescimento das alternativas ao álcool. Não se trata simplesmente de substituir uma bebida por outra, mas de ampliar as possibilidades.

Um jantar especial pode ter uma harmonização com chás.

Um encontro entre amigos pode ter um mocktail elaborado.

Uma refeição pode ser acompanhada por uma infusão aromática, uma bebida botânica ou uma preparação que valorize ingredientes naturais.

O prazer continua presente. O que muda é a escolha.


O desafio de reduzir o álcool


Na prática clínica, percebo que reduzir o consumo de bebidas alcoólicas pode ser mais desafiador do que parece.

É relativamente simples compreender que o excesso de açúcar, de produtos ultraprocessados ou de determinados alimentos pode comprometer os objetivos de saúde.

Com o álcool, existe uma dimensão cultural e emocional muito forte.

Ele está associado à comemoração, ao lazer, às férias, aos encontros, ao relaxamento e, muitas vezes, à ideia de pertencimento social.

Por isso, quando proponho a redução do consumo de álcool, não penso apenas em retirar uma bebida do cardápio.

Penso em encontrar novas formas de manter o prazer e a sociabilidade, sem que eles dependam necessariamente do álcool.

Afinal, é difícil negociar com aquilo que culturalmente aprendemos a considerar "sociável".


Uma geração que está bebendo menos


Esse comportamento também começa a aparecer nos dados sobre consumo de álcool.

Segundo informações divulgadas pelo CISA — Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, houve crescimento da parcela de adultos que não consomem bebidas alcoólicas, passando de 55% para 64% em determinado levantamento.

Entre os mais jovens, especialmente na faixa dos 18 aos 24 anos, essa mudança de comportamento também vem sendo observada.

Independentemente das razões individuais — saúde, estilo de vida, desempenho esportivo, sono, estética ou simplesmente uma nova relação com o álcool — existe uma tendência importante acontecendo: beber menos está deixando de ser uma escolha isolada e começa a fazer parte de um novo comportamento social.

E o mercado acompanha essa transformação.


O chá sai do lugar de "simples bebida"


É nesse contexto que o chá ganha espaço.

E, para mim, isso é especialmente interessante.

O chá pode ser muito mais do que uma bebida quente consumida no final do dia.

Ele pode participar de uma experiência gastronômica, de uma harmonização, de um momento de pausa ou de um ritual de autocuidado.

Existe uma enorme variedade de aromas, sabores e possibilidades de preparo.

Ervas, flores, especiarias, frutas e diferentes métodos de infusão permitem criar experiências sensoriais sofisticadas — inclusive para quem não consome álcool.

Restaurantes já começam a explorar esse universo com mais criatividade, apresentando cartas de chás e harmonizações que acompanham pratos da mesma maneira que tradicionalmente se faz com vinhos.

E isso abre uma perspectiva muito interessante: a bebida não precisa ter álcool para ter complexidade, identidade e presença à mesa.


Chás, mocktails e novas experiências


O crescimento dos mocktails — bebidas elaboradas sem álcool — também demonstra essa transformação.

Quando bem preparados, eles não são simplesmente um "drink sem álcool".

Podem combinar frutas, ervas, especiarias, chás, água com gás e diferentes elementos aromáticos, criando uma experiência gastronômica própria.

E existe ainda uma diferença importante entre simplesmente retirar o álcool e criar uma alternativa que seja desejável por si mesma.

Essa mudança de perspectiva é fundamental.

Não precisamos pensar:

"O que posso beber no lugar do vinho?"

Podemos começar a pensar:

"Que experiência de sabor eu quero ter hoje?"

Essa pergunta abre muito mais possibilidades.


E onde entra a fitoterapia?


Como nutricionista, também me interessa o universo dos compostos bioativos presentes em diversas plantas utilizadas tradicionalmente em infusões.

Algumas ervas apresentam compostos com propriedades estudadas pela ciência, e determinadas preparações podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Mas é importante manter o olhar profissional: chá não é sinônimo de medicamento, e "natural" não significa automaticamente seguro ou indicado para todas as pessoas.

A escolha de ervas, concentrações e frequência de consumo deve considerar individualidade, medicamentos utilizados, condições de saúde e objetivos.

Quando falamos em fitoterapia, conhecimento técnico é tão importante quanto a tradição.


E o kombucha?

Outro exemplo interessante dessa nova cultura das bebidas é o kombucha.

Por ser uma bebida fermentada, ele apresenta características diferentes dos chás tradicionais e pode conter microrganismos provenientes do processo de fermentação.

Também é naturalmente gaseificado em muitos preparos, o que proporciona uma experiência bastante diferente de uma simples infusão.

Dependendo do processo de produção, pode haver presença residual de álcool em pequenas quantidades. Por isso, para quem precisa evitar álcool completamente, vale observar a informação do fabricante e o processo de produção.

Mais do que uma tendência, o kombucha representa essa busca contemporânea por bebidas com identidade, sabor e uma experiência diferente do consumo tradicional de refrigerantes e bebidas alcoólicas.


O prazer não precisa desaparecer quando fazemos escolhas mais saudáveis


Talvez essa seja a parte que mais me interessa como nutricionista.

Uma vida mais saudável não precisa ser uma vida sem prazer.

Pelo contrário.

Quanto mais conseguimos ampliar nosso repertório de sabores, preparações e experiências, menos dependentes ficamos de um único alimento ou bebida para sentir prazer.

Podemos celebrar com uma boa comida.

Podemos brindar com uma bebida sem álcool.

Podemos descobrir o prazer de uma infusão aromática.

Podemos experimentar uma harmonização de chá.

Podemos transformar uma simples xícara em um pequeno ritual.

E, principalmente, podemos escolher.


Um novo jeito de brindar


Fico muito esperançosa ao observar essa mudança de comportamento.

Uma geração que questiona o consumo excessivo de álcool está também criando espaço para novas experiências gastronômicas e novas formas de socialização.

Para mim, o mais interessante não é simplesmente "beber menos".

É ter mais escolhas.

Escolher o álcool quando fizer sentido.

Escolher não beber quando não quiser.

Experimentar um chá diferente.

Descobrir uma nova erva.

Conhecer uma harmonização.

Criar um mocktail.

Fazer do momento de beber uma experiência consciente, e não apenas um hábito automático.

Porque cuidar da saúde não significa retirar o prazer da vida.

Significa descobrir outras maneiras de vivê-lo.


Adriana RomeoNutricionista | CRN 3 74722

Nutrição funcional e esportiva para mulheres


Este texto tem caráter educativo e não substitui uma avaliação nutricional individualizada. O uso de plantas, ervas e preparações com finalidade terapêutica deve considerar as características e necessidades de cada pessoa.

 
 
 

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